terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sobre amor, amizade, felicidade e outras coisas...

O que te faz feliz?
O que é amor?
Se eu estou com sede, um copo de água é o que me faz feliz, se eu estou com fome, algo bem gostoso pra comer (aliás, esqueci meu pacote de batata chips em casa e a tarde promete ser longa :/)
Mas afinal, o que é a felicidade?
"A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude estão ausentes. Abrange uma gama de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior. Existem diferentes abordagens ao estudo da felicidade - pela filosofia, pelas religiões ou pela psicologia. O homem sempre procurou a felicidade. Filósofos e religiosos sempre se dedicaram a definir sua natureza e que tipo de comportamento ou estilo de vida levaria à felicidade plena.
A felicidade é o que os antigos gregos chamavam de eudaimonia, um termo ainda usado em ética. Para as emoções associadas à felicidade, os filósofos preferem utilizar a palavra prazer. É difícil definir, rigorosamente, a felicidade e sua medida. Investigadores em psicologia desenvolveram diferentes métodos e instrumentos, a exemplo do Questionário da Felicidade de Oxford,[1] para medir o nível de felicidade de um indivíduo. Esses métodos levam em conta fatores físicos e psicológicos, tais como envolvimento religioso ou político, estado civil, paternidade, idade, renda etc." 
(Em http://pt.wikipedia.org/wiki/Felicidade)

Felicidade é um estado de espírito para o qual não há definição.
Apenas por amor ao debate, a felicidade não é um estado durável de plenitude, pois o próprio "durável" requer considerações. O que é durável? quanto tempo dura o durável? Há uma felicidade que pode durar muito tempo, ou alguns minutos.
"Ou, loke, se dura alguns minutos, não é felicidade, é alegria."
Ah é? diferencie pra mim alegria e felicidade. Há quem diga que alegria é um momento e a felicidade dura a vida toda. Ok, mas ninguém é feliz o tempo todo.
"Satisfação e equilíbrio físico e psíquico em que o sofrimento e a inquietude estão ausentes." Por equilíbrio físico e psíquico, devo entender ausência de doença ou sofrimento. Mas eu acredito ser possível estar doente e feliz. Ou será que não é felicidade o que um paciente sente quando tem a notícia de que vai receber um transplante de orgão? Ainda que ele tenha que viver o resto de sua vida tomando remédios contra a rejeição, ele viverá feliz. Ou ainda, mesmo estando feliz tendo "renascido", como dizem alguns, a condição de preso a algum tratamento ou dieta o fará infeliz.
Diz, ainda, que "abrange uma série de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo". Significa dizer que um simples contentamento é uma espécie de felicidade? que a alegria é felicidade?
Eu acredito que não existe palavra capaz de definir um sentimento, que o simples sentir já torna indecifrável, intranscritível.

E o amor hein? o que é o amor?
Nem vou tentar explanar sobre o amor. Eu amo. E amo muitas coisas, muitas pessoas, muitas atitudes, muitos animais.
O que é o amor? o que é amar?
Sinceramente, você nunca vai saber o que é amor. Eu achava que amava uma pessoa, até chegar o dia em que amei outra pessoa mais ainda. E o que me garante que esse sentimento é o tão falado amor, já que ninguém consegue definir?
O que garante que você sente aquilo que diz, se nunca sentiu o de outra pessoa pra saber? O que sabemos, é aquilo que tenta-se definir, mas, nem mesmo quem define sabe se aquilo que está sentindo e definindo como amor, é na realidade o tal amor.

Enfim... sentimentos não tem lógica, não tem definição.
Existe aquilo que sentimos que julgamos ser o que convencionou-se chamar de amor, alegria, felicidade...
O que importa, na verdade, é você estar sentindo aquilo que julga ser felicidade, é você estar bem consigo mesmo, é você ter motivos pra sorrir.
O que vai importar, no final de tudo, é aquilo que você é pra você, aquilo que você julga de si próprio.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Nosso eterno cantinho na calçada

Cheguei cansada do trabalho. E um tanto frustrada com notícia de horas-extras que prejudicariam meus planos.
Abri o portão e a porta, minhas crianças me receberam como de costume no maior dos amores e felicidade... Afago nas maiores, colo nas menores. As meninas pediam pela tão esperada voltinha lá fora. Tive o impulso inicial de negar, verificar água e comida, trancar a porta e me afundar na minha solidão. Mas eu não podia. Eu estive fora o tempo todo, elas me esperaram em casa e se alegraram nos curtos períodos que voltei. Reuni forças, e as convidei com a palavra mágica: Vamos passear?
Abri o portão, elas saíram felizes pelo gramado.
Com poucas forças para enfrentar o mundo em pé, sentei-me na calçada, pés na rua. E me veio então a mesma imagem que sempre se reconstrói na minha mente quando me sento naquele lugar.
Era final do primeiro mês do ano de 2011. Minha Laika passava por seus últimos dias de vida. Já não tinha forças pra dar sua voltinha noturna, eu a carreguei no colo, a coloquei em pé na grama para que ela pudesse sentir como sentia antes. Mas apesar do esforço, suas pernas não suportaram e ela caiu... A peguei no colo, deitei-a cuidadosamente na calçada, deixando espaço pra que eu me sentasse ao seu lado, no único altinho entre as guias rebaixadas das garagens. E ficamos as duas ali, eu a afagava, segurava sua pata, e sentia meu coração pouco a pouco se apertando, até eu sentir que ele se tornara uma geleia que bombeava meu sangue e doía. Sentia que cada dia estava se tornando mais e mais doloroso pra minha Laika, mas o egoísmo humano falava mais alto, não queria me privar de sua companhia, por mais que isso a fizesse sofrer... Não sei quanto tempo ficamos ali. A mim, parecia que o tempo parava para que pudéssemos curtir a companhia uma da outra. Ela sofria, sei que sofria, mas eu conseguia ler em seus olhos que estava feliz por estar respirando o ar noturno além portões ao meu lado. Ela sabia que, ainda que suas pernas não aguentassem, eu não a deixaria em casa enquanto as outras passeavam.
Naquele dia, soube que o tempo que passou foi grande, pois as outras cachorras já haviam cansado de esperar e entraram por conta própria. Me levantei, peguei a Laika no colo, e entramos. E esse era seu último passeio noturno...
Hoje, sentada no mesmo lugar, instintivamente joguei as mãos pro lado buscando sua cabeça para afagar, sua pata para segurar e assim, de mãos dadas, passarmos um bom tempo... Mas a única coisa que minhas mãos tocaram foi o cimento duro da calçada, ainda quente pela intensidade do calor e sol do dia. Senti novamente meu coração se apertando até se desfazer em uma geleinha dolorida. Instantaneamente o nó se fez na garganta. Olhei para o nada, senti que uma lágrima silenciosa percorria meu rosto.
Já faz um ano, e a cena se repete na minha memória, involuntariamente, todas as vezes que me sento no nosso cantinho.
Lilica, uma vira-latas que nos escolheu por donos, percebeu que eu sofria, enfiou-se no espaço embaixo do meu braço apoiado no joelho como quem diz "Eu também sinto falta dela, mas estou aqui por você".
Dizem que os cachorros vivem menos porque amam mais... Minha estupidez e egoísmo típico dessa espécie medíocre chamada humana não consegue aceitar essa separação. A saudade permanece, continua doendo, continua derramando lágrimas, continua apertando o peito.
Eu sei que eu não devia chorar. Minha Laika era a primeira a vir com a cabeça e a bunda ao mesmo tempo fazendo graça pro meu lado pra que eu trocasse minhas lágrimas por sorrisos. Não é tristeza que me faz chorar, é a saudade, é a falta, são as lembranças... "As lembranças, me chegam sempre em noites tão vazias, e mexem tanto com minha cabeça".
Levantei, sequei as lágrimas, já sorria cercada por minhas cachorras que tomaram suas posições no batalhão de minha proteção.
A dor ainda incomoda no peito. A saudade ainda bate forte. E a lembrança é eterna.
Aquele é o nosso cantinho. E será pra sempre a lembrança do momento da nossa maior união, quando eu praticamente lia seus pensamentos que diziam apenas estar feliz por estar ao meu lado.
Ao afagar o cimento insensível, vou sempre sentir sua cabeça sob minha mão, essa lembrança está cravada dentro do peito.
Me despeço aqui com uma frase do mestre José Fortuna:
"Quem somos nós pra entender tamanha dor, como cabe tanto amor nos corações dos animais"

Saudações

domingo, 18 de março de 2012

O mar... Ah, o mar...


Vento No Litoral
Legião Urbana

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...

Eieieieiei!
Olha só o que eu achei
Humrun
Cavalos-marinhos...

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...


Quando eu penso em mar, eu me vejo na cena cantada por Renato, eu me vejo vivendo "Vento no Litoral".
O mar pra mim tem a função do Ganges. Limpar, lavar a alma, levar embora o que é ruim, mas tudo isso no plano sentimental, não ao pé da letra de jogar seus cadáveres na água sagrada.
Algo no mar sempre me atraiu... Olhar a imensidão que se estende da sua frente até o infinito. Naquele momento, quando estou só, olhando o mar, eu mergulho numa grande viagem pelo fundo da minha alma, pelos mais obscuros segredos do meu ser. É o máximo do encontro de mim comigo mesma.
Sentir a areia fresca sob meus pés, ouvir o murmurio das ondas em seu eterno ciclo, sentir a brisa tocando meu rosto. Só olhar, admirar esse encontro profundo, nao pensar em nada.
A água tem esse poder sobre mim, esse fascínio. A promoção do encontro do que há de melhor e pior dentro de mim.
Meu sonho? uma praia onde eu possa me sentar sozinha na areia branca, no meio da noite, com a lua em sua plenitude iluminando a paisagem ao meu redor. Ficar horas ali, sem sentir medo, sem ser incomodada, conversando apenas com meus pensamentos... Um lugar onde eu possa caminhar com os pés na água, sentindo a energia se renovar...
É, eu preciso ver o mar... preciso me encontrar com ele em minha plenitude...
Talvez eu precise de uma viagem pro litoral, onde eu não fique com medo e, de preferência, onde eu também não fique doente... Quem sabe um dia eu consiga!